sou um tigre deitado na sua cama lambendo teus pensamentos crus
minhas patas deixam marcas profundas no teu devaneio
eu me vôo e meu peito se agita
vigio a porta e ninguém sai
fico presa e rezo seis ave-marias
sou um tigre deitado na sua cama lambendo teus pensamentos crus
minhas patas deixam marcas profundas no teu devaneio
eu me vôo e meu peito se agita
vigio a porta e ninguém sai
fico presa e rezo seis ave-marias
Cansei de eu também
o eu é o que me dói
eu engoli uma máquina que faz pipocas
meu estômago digere tudo
pausa para o riso
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Ai que eu não me meta nos teus afazeres
que eu seda até o ponto de ser eu também
pausa
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Mas que cidade é essa? Que ruas são essas? Quem sonhou com isso? Quem lucra com isso?... E quem profere as sentenças... (Charlotte Corday, em Marat Sade, de Peter Weiss

um suco na multiprocessadora de última moda
Uma besta voltou-se para mim.
De pele enrugada e olhos crespos dispara mimos vadios em minha direção
sou uma águia de dentes famintos
sou filha de você
"-gostou da aula?
-ficou chocado?
-a intenção era essa" e outras frases soltas do rapaz que está no computador ao lado
Isso é que é engraçado
todos conversam e eu não falo nada
eu rio
mostro meus dentes
enrijeço a nuca
eu fico olhando com a certeza de que não sou eu
então eu pego a minha bolsa com anotações, dinheiro pra pegar o ônibus, livros, casacos e ofereço a minha cadeira e ofereço a minha indiferença e ofereço o meu mal estar e ofereço a minha boa educação e ofereço qualquer frase feita e ofereço o meu silêncio e ofereço a minha ausência
o melhor que eu posso dar
estar em todos os lugares onde não se quer estar e simplesmente ser
estar ad vinhando a palavra do outro enquanto só se quer ser escutado sem falar
estar num quarto escuro com a porta destrancada sem querer sair
ach o que preciso de t erapia
acho que voltei de novo para a mesma palavra para a mesma memoria
e oq ue nãoexplode em mimme causa náuseas
e os risosdas coisas pequenas
você vê que eu não sei me ajudar?
mia08052008
Quatro dias não se passarão a menos que Deus desça do séu
Quatro vezes não se passarão (dentro do peito a lâmina estremece)
Quatro noites não dormi e
a minha cabeça arde temendo o fogo
do
dragão
quatro bocas e quatro olhos
mas eu ainda não vejo o teu rosto
para a ss ombrar-me
cc; com o xale nas costas mas o peito anda nu
eu não olhei para os teus sapatos engraxados
depois da chuva de papel
olhei minhas as mãos doloridas por todo esse tempo que ainda não passou
e eu não olhei para os teus
sapatos
só larguei a bolsa em cima da cama e mudei de roupa
enquanto do céu descia um anjo de cinta liga e cabelos desgrenhados
eu só guardei os teus sapatos todo esse tempo
Juntei os pontos para ver o que deixei de fazer
participei de um coral de igreja
e vesti a camisola lisa no teu dia de sono
Você me olhava como se de mim pulsassem paisagens de inverno
Eu me sorri
e pela janela eu via as nuvens precipitarem-se em chuva
daí recebi teu verão
quente demais
eu me perguntava sobre aves de rapina e meus olhos cortavam os meus próprios pulsos
o vermelho que saía da minha pele
não te deixava mais incomodado
eu me sorri
entredentesminhalinguacortavacadapalavratua
eu me sorri
vestiacamisola
e deixei
de fazer
en
tão
fiquei aflita com meus pensamentos - - - - - - - - - ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨ ...............................
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então liguei a televisão
então não quis levantar da cama
então acho que ainda não me levantei
então acho que o dia ainda não nasceu
ou então
eu ainda não acordei
Ninguém mesmo vai ouvir, dizia o velho
A dona Margarida senhora cafona e esquisita ouvia através da porta de madeira a conversa do velho
assoprava as unhas vermelhas que acabara de pintar quando o velho falou:
Ninguém mesmo Por isso não diga Calado também não adianta
Intrigada Margarida a dona vai até a cozinha e bota a agua do café para ferver
O velho permanecia
ouvindo
as unhas continuavam
secando
a água já tinha
fervido
e
a margarida continuava
soprando
Foi quando nas primaveras percorridas
eu sonhava os invernos azuis
eu via meus jardins de dia mas inda
sentia o vento de junho
eu te via
gelado como o azul
percorrendo as minhas primaveras
Eu também já tinha visto o filme.
Mas preferi esperar pelos créditos.
Talvez se eu tivesse saído antes, não teria perdido o ônibus
Mas que mania de esperar que o filme vá trazer alguma novidade!
Esperar pelas luzes da sala de cinema e ficar até aparecer o logo da maldita produção! Que falta de personalidade, eu disse.
Mas não ficava para ver o final dos créditos
ficava para ver as poltronas vermelhas e aveludadas
vazias
contava cada fileira
e ficava
imaginando que tipo de pessoa preferiria sentar nas fileiras do centro, nas poltronas do centro
ficava tentando descrever fisicamente quem sentaria nas poltronas laterais ou O porquê de se sentar nas primeiras fileiras e sair da sala de pescoço duro.
Ficava pensando que mesmo uma sala cheia de poltronas razoavelmente confortáveis, não tinha lugar para todo mundo que gostaria de assistir àquele filme que eu acabara de ver pela, talvez, décima vez.
Os dias que se passaram depois na minha vida
foram os créditos
Daí eu fiquei pequena e descalça
e o dedos não páram de correr
e o amor detodasascoisas não chega
Daí eu virei letra miúda
e as plantas da minha casa eu esqueci de molhar
e se chora de noite é para ter alguma coisa para se conversar
daí eu me virei
e tentei dormir denovo


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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Automóveis, Dinheiro
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