Portos e Sóis


20/06/2008


 

Mas que cidade é essa? Que ruas são essas? Quem sonhou com isso? Quem lucra com isso?... E quem profere as sentenças... (Charlotte Corday, em Marat Sade, de Peter Weiss

Escrito por Andressa às 10h16
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um suco na multiprocessadora de última moda

Escrito por Andressa às 10h13
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Uma besta voltou-se para mim.

De pele enrugada e olhos crespos dispara  mimos vadios em minha direção

sou uma águia de dentes famintos

sou filha de você

Escrito por Andressa às 09h07
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08/05/2008


"-gostou da aula?

-ficou chocado?

-a intenção era essa"  e outras frases soltas do rapaz que está no computador ao lado

 

Isso é que  é engraçado

todos conversam e eu não falo nada

eu rio

mostro meus dentes

enrijeço a nuca

eu fico olhando com a certeza de que não sou eu

então eu pego a minha bolsa com anotações, dinheiro pra pegar o ônibus, livros, casacos e ofereço a minha cadeira e ofereço a minha indiferença e ofereço o meu mal estar e ofereço a minha boa educação e ofereço qualquer frase feita e ofereço o meu silêncio e ofereço a minha ausência

o melhor que eu posso dar

Escrito por Andressa às 12h25
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estar em todos os lugares onde não se quer estar e simplesmente ser

estar ad vinhando a palavra do outro enquanto só se quer ser escutado sem falar

estar num quarto escuro com a porta destrancada sem querer sair

ach             o                                            que preciso                       de t                                          erapia

acho que voltei de novo para a mesma palavra para a mesma memoria

e oq ue nãoexplode em mimme causa náuseas

e        os                  risosdas                    coisas pequenas

você vê que eu não sei me ajudar?

mia08052008

 

Escrito por Andressa às 12h15
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18/04/2008


Quatro dias não se passarão a menos que Deus desça do séu

Quatro vezes não se passarão (dentro do peito a lâmina estremece)

Quatro noites não dormi e

a minha cabeça arde temendo o fogo

do

dragão

quatro bocas e quatro olhos

mas eu ainda não vejo o teu rosto

para a ss  ombrar-me

 

cc; com o xale nas costas mas o peito anda nu

Escrito por Andressa às 14h34
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14/04/2008


eu não olhei para os teus sapatos engraxados

depois da chuva de papel

olhei minhas   as  mãos doloridas por todo esse tempo que ainda não passou

e eu não olhei para os teus

sapatos

só larguei a bolsa em cima da cama e mudei de roupa

enquanto do céu descia um anjo de cinta liga e cabelos desgrenhados

eu só guardei os teus sapatos todo esse tempo

Escrito por Andressa às 12h07
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27/03/2008


Juntei os pontos para ver o que deixei de fazer

participei de um coral de igreja

e vesti a camisola lisa no teu dia de sono

Você me olhava como se de mim pulsassem paisagens de inverno

Eu me sorri

e pela janela eu via as nuvens precipitarem-se em chuva

daí recebi teu verão

quente demais

eu me perguntava sobre aves de rapina e meus olhos cortavam os meus próprios pulsos

o vermelho que saía da minha pele

não te deixava mais incomodado

eu me sorri

entredentesminhalinguacortavacadapalavratua

eu me sorri

vestiacamisola

e deixei

de fazer

Escrito por Andressa às 12h11
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18/03/2008


en

tão

 

fiquei aflita com meus pensamentos  - - - - - - - - -    ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨ ...............................

>>>>>>>>>>>>-                 -                        -   ¨                        .                  {{{{{{{{{{ ////////// ///////////////                - - - - - - - - - - -          ¨ ¨ ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨ - - -

então liguei a televisão

então não quis levantar da cama

então acho que ainda não me levantei

então acho que o dia ainda não nasceu

ou então

eu ainda não acordei

Escrito por Andressa às 13h30
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03/03/2008


Ninguém mesmo vai ouvir, dizia o velho

A dona Margarida     senhora cafona e esquisita      ouvia através da porta de madeira a conversa do velho

assoprava as unhas vermelhas que acabara de pintar                     quando o velho falou:

 Ninguém mesmo        Por isso não diga     Calado                 também não adianta

Intrigada  Margarida          a dona                                    vai até a cozinha e bota a agua do café  para ferver

O velho  permanecia

ouvindo

as unhas continuavam

secando

a água já tinha

fervido

e

a margarida continuava

soprando

 

 

Escrito por Andressa às 12h03
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Foi quando nas primaveras percorridas

eu sonhava os invernos azuis

eu via meus jardins de dia mas inda

sentia o vento de junho

eu te via

gelado como o azul

percorrendo as minhas primaveras

Escrito por Andressa às 11h56
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03/12/2007


Eu também já tinha visto o filme.

Mas preferi esperar pelos créditos.

Talvez se eu tivesse saído antes, não teria perdido o ônibus

Mas que mania de esperar que o filme vá trazer alguma novidade!

Esperar pelas luzes da sala de cinema e ficar até aparecer o logo da maldita produção! Que falta de personalidade, eu disse.

Mas não ficava para ver o final dos créditos

ficava para ver as poltronas vermelhas e aveludadas

vazias

contava cada fileira

e ficava

imaginando que tipo de pessoa preferiria sentar nas fileiras do centro, nas poltronas do centro

ficava tentando descrever fisicamente quem sentaria nas poltronas laterais ou O porquê de se sentar nas primeiras fileiras e sair da sala de pescoço duro.

Ficava pensando que mesmo uma sala cheia de poltronas razoavelmente confortáveis, não tinha lugar para todo mundo que gostaria de assistir àquele filme que eu acabara de ver pela, talvez, décima vez.

Os dias que se passaram depois na minha vida

foram os créditos

Escrito por Andressa às 11h16
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11/09/2007


Daí eu fiquei pequena e descalça

e o dedos não páram de correr

e o amor detodasascoisas não chega

Daí eu virei letra miúda

e as plantas da minha casa eu esqueci de molhar

 e se chora de noite é para ter alguma coisa para se conversar

daí eu  me virei

e tentei dormir denovo

Escrito por Andressa às 19h16
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como tudo anda cheio!

fica mais ou menos o vazio das coisas

Os corredores de paredes amareladas

mostram,

sob a luz envelhecida,

que o demais

tornou-me um suco anêmico

 

 

Escrito por Andressa às 19h00
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16/08/2007


o sol bateu-me de frente nestes últimos dias

dias meio sempoesia

daqueles dias que a gente sees força para serem coloridos

Daí uma frase caramelada com cobertura de infãncia assovia " Eu sou uma pessoa boa, eu coloco água para as plantas"

daí eu lembro do sol atravessando a janela do ônibus pela manhã   tododia

o sol é quente

e o caramelo é doce

 

Escrito por Andressa às 19h57
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